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domingo, 15 de dezembro de 2013
Vender a alma
O " Fausto", de Goethe foi o corolário passado e futuro da ideia da venda da alma ao diabo. Ela pode revestir várias formas, mas a mais comum e significativa nos nossos tempos diz respeito à corrupção. Grassa em todo o lado, invade o nosso quotidiano, suscita condenações. A principal questão a colocar neste tema é o da sua génese. Para esta análise deve-se descer às rotinas quotidianas, no sentido de que o seu começo tem origem nelas. A maioria de nós tentou corromper, uma ou mais vezes, alguma ou várias pessoas. E como isto é possível? Já se esqueceram das dádivas por baixo da mesa, que cada um de nós executa, sempre que queremos ser favorecidos por alguém? Ignorarão as pressões feitas para que nos arranjem um emprego, que irá dar origem ao chamado "amiguismo"?
Pois é, desculpam-se que são pormenores sem importância, que já fazem parte do quotidiano, que é praticado por tanta gente. Esquecem-se desde logo, que estes mínimos detalhes crescem com a prática, e de anões passam a gigantes, num abrir e fechar de olhos. A única diferença está na sua gravidade e responsabilização condenatória, maior ou menor, no que respeita aos valores envolvidos. Será com certeza impossível, pelo já descrito, liquidá-la de vez, em virtude do seu envolvimento e base de sustentação.
Neste caso ficamos sempre com os pés na parede, porque eles estão atados, e com as mãos no chão, não conseguiremos desatar os nós.
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